Capítulo 1 - Parte 5
Arco 2 (Além do Fim)
Ashley: (bocejo) Miah, miah... Moço?! O que aconteceu!? Por que você está preso? Você tá suando.
Gabriel: Ashley (gemido de dor), eu queria te levar em segurança até a reserva,
mas percebo que, a cada segundo, estou te deixando mais despreparada para um suposto ataque.
Ashley: Como assim, não estou entendendo?
Gabriel: Ashley, eu fui mordido, e quanto mais o tempo passa, me sinto menos eu. Sinto vontade de te morder.
Narrador: Ashley fica chocada.
Ashley: (assustada) Não... Não pode ser.
Gabriel: Eu sabia que isso poderia acontecer. Preciso que você seja forte, não há cura.
Eu estou me transformando, você precisa continuar sem mim.
Ashley: Não, não!
Gabriel: Ashley (segurando em seus braços), você é minha menininha forte. Eu sei que você consegue. Daqui até a reserva falta pouco.
É só você continuar seguindo ao sul. Eu queria poder ir com você, mas... Infelizmente não vou.
Ashley: Eu não quero continuar sozinha.
Gabriel: Você não vai. Bom... Você tem o Sr.Wafer, ele vai estar com você. Eu tenho fé em você.
Ashley: ...
Gabriel: Ashley, mais uma coisa.
Ashley: O quê? (choramingando)
Gabriel: Eu te ensinei a atirar, né?...
Ashley, eu quero que você atire em mim. Eu não quero me transformar. Eu vi acontecer, é horrível...
Não quero que aconteça comigo.
Ashley: O quê?! Como assim?
Gabriel: Ashley, eu quero que você atire em mim, antes que eu me transforme.
Ashley: Por que?
Gabriel: Porque antes do apocalipse virar um surto, eu estava com minha família. Depois que meu pai morreu de overdose,
duas coisas aconteceram. A primeira, minha mãe parou de apanhar. E a segunda, eu virei o homem da casa. E eu tinha 16 anos...
Ashley: Nossa.
Narrador: Meu pai nem sempre foi uma pessoa ruim, mas isso mudou, tempo depois que me ensinou a atirar.
Ainda aos meus 14 anos, ele começou a beber e sempre botava a culpa na bebida, o que não faz sentido,
já que quem paga é o usuário, pela bebida e pelas ações feitas. (suspiro) Quando assistia ele bater na minha mãe,
me sentia péssimo. Queria ajudá-la, mas não podia. Mesmo sabendo onde ficava a arma e a atirar, não podia.
Porque se ele se fosse, tudo iria mudar. E quando a overdose fez o trabalho por mim, tudo mudou.
Minha mãe não tinha um emprego, e sem estudos era mais difícil pra ela conseguir um. Ela só sabia cuidar da casa,
meu pai não permitia que ela trabalhasse, queria que ela dependesse dele. Quando as coisas ficaram difíceis,
ao ponto de passarmos fome, eu tive que arrumar um jeito de ganhar dinheiro. Então, com minha mente prodigiosa,
comecei a planejar algo, e deu certo, mas não era um emprego, eu fazia coisas erradas. Então, com 19 anos fui preso,
e quando voltei pra casa...
Bom, foi aí que o surto começou. As únicas pessoas que importavam para mim tinham se transformado no meio da noite,
minha mãe e minha sobrinha. Se não tivesse acordado seria um deles agora.
Quando acordei com aquele susto, eu simplesmente saí correndo, a única coisa que me arrependo,
e de não ter-lhes dado misericórdia.
Gabriel: Não quero que isso aconteça com você, não carregue esse arrependimento para a vida,
ou sei lá, a dor de me ouvir pedindo misericórdia não sendo atendida.
Narrador: Ashley me olhou com medo em seus olhos. Não aguentando mais segurar o choro, ela me abraça,
se derramando em lágrimas. Apertei ela bem forte, aproveitando nosso último momento, nosso último contato.
Gabriel: Eu te amo Ashley. Sei que não vou estar aqui fisicamente, mas sempre estarei vivo na sua memória.
Narrador: A última coisa que me lembro foram essas palavras, provavelmente as últimas antes de me transformar.
E agora, Ashley, apesar de seu treinamento recente, precisa assumir responsabilidades cruciais para sobreviver.
Narradora Ashley: Enquanto eu abraçava o moço, ele me empurrou, e tentou me morder ao mesmo tempo.
Caída no chão, olhei para ele e vi que sua aparência tinha mudado muito.
Peguei a arma na minha frente e fiz o que ele tinha pedido, atendendo seu último desejo.
Ashley: Sempre me lembrarei de você, Gabriel. Não tive a chance de dizer... (suspiro de choro) Mas, eu também te amo, moço.
Pow!
"Você tem que ser forte. Eu me vou, mas sua história ainda continua"
(passos saindo da delegacia)
Ashley: Ele se foi. Não! Eu esqueci de perguntar onde é o sul, Sr.Wafer. (ahh)
Pera, acho que lembro, tenho que ficar de olho no sol. No hemisfério sul, o sol nasce a oeste, e se põe a leste,
ou será ao contrário? Droga, aulas de geografia! Eu não me lembro. É para continuar ao sul...
Será que é só seguir o caminho que já estávamos fazendo? É a única direção que tenho.
Narradora: Andei com medo. Estava sozinha. A única coisa que sabia era que tinha que continuar caminhando,
desviando dos zumbis e chegar até a reserva. Abraçando bem forte o Sr.Wafer, fui. Caminhei segurando o choro,
mas quando deixei a primeira lágrima cair, me deparei com um zumbi que apareceu do nada na minha frente.
Ainda bem que ele era grande, então não me viu, mas ouviu, então saí correndo. Após correr bastante,
me deparei com um beco sem saída. Cansada, tinha conseguido despistar a maioria dos zumbis,
mas 4 ainda estavam me seguindo. Peguei a arma e atirei.
POW! (respiração ofegante ao fundo) Por estar muito tensa, tinha errado. "Ashley, eu confio em você."
Me lembrando do moço, lembrei das instruções: Coluna reta, braço esticado e (puxando a respiração).
Pow! Pow! Pow! tic! tic!
Ashley: Droga!
Narradora: Restou um zumbi. A arma tinha descarregado. O zumbi estava muito perto. Eu não sabia o que fazer...
Pow! (disparo desconhecido)
Soldado 1: Uma criança?
Rádio (comandante da reserva): Fraker! Tudo bem aí?
Fraker: Sim, tá tudo bem. É... Senhor, achei uma criança?
Rádio: O quê? Como assim, uma criança?
Fraker: Também não sei, acabei de salvá-la.
Rádio: ... Traz ela pra cá, mas com cuidado, não sabemos se ela está infectada.
Fraker: Sim senhor. Garotinha, você vem com a gente.
Ashley: Tá bom.
Narradora: Dois soldados me escoltaram. Estávamos indo a algum lugar. A viagem foi bem tranquila.
O que me incomodou mesmo foi que um deles ficou apontando a arma para mim o tempo todo.
Soldado 2: Então quer dizer que você saiu da zona norte de Tecnox, e veio até o sul com um estranho?
Ashley: Sim.
Soldado 2: Difícil de acreditar, não é Fraker?
Narradora: Não contei a parte do manicômio.
Fraker: Do jeito que o mundo está, não parece algo impossível. Ashley, né? Prazer, eu sou o Fraker,
e esse aí seu segurança, é o Mires. Você falou que estava a caminho do campo de refugiados.
Está com sorte, estamos indo para lá, mas seu pai não está lá.
Revoltado, ele falou que voltaria até sua casa para te buscar. Mesmo sendo arriscado, ele não ouviu a gente.
Se você é quem diz ser, vai achar apenas a sua mãe.
(transferência)
Mires: Comandante, chegamos. Pode abrir o portão.
Rádio: Abrindo o portão.
Narradora: Ao observar o portão se abrindo, notei que a Reserva era bem diferente do que imaginei.
Estava mais para uma construção em andamento, feita com qualquer coisa que desse para usar.
Enquanto o portão era de ferro, o muro era de madeira, mas também era de pedra e arames farpados.
Era um muro bagunçado, feito com todo tipo de coisa que pudesse servir.
Assim que entrei, fui recebida por outros sobreviventes,
todos tavam me olhando estranho, principalmente o comandante.
"O comandante da Reserva observa Ashley de perto. Ele sabia que cada novo sobrevivente trazia consigo uma nova história também"
Fraker: Ashley, você é nova, então temos que te examinar para ver se está tudo bem. Esse é o doutor Jonathan,
acompanhe-o.
Mires: (ao fundo) Achamos um campo limpo alguns quilômetros ao norte. Poderíamos criar um novo espaço,
talvez até aumentar nossas plantações...
Narradora: Seguindo o doutor, fui levada até um conjunto de paredes. Ele começou a me examinar com coisas de médico,
e depois que terminou, me liberou.
Ashley: Tudo bem, doutor?
Médico: É, parece que tá tudo bem com você. Vou te liberar. Pode esperar na porta se quiser.
Acho que já avisaram sua mãe que você tá aqui. Logo, logo, ela deve aparecer.
Ashley: Tá bom.
Narradora: É. Acho que finalmente concluí minha viagem. Pena que o moço... (suspiro) O moço não...
(passos se aproximando)
Comandante: Bem-vinda à Reserva, Ashley. Eu sou o fundador e comandante.
Você é a primeira criança a chegar desde o início do apocalipse. Estou surpreso. Como você conseguiu sobreviver?
Narradora: O comandante me interrogou, queria saber a minha história, e com detalhes, então, contei.
Comandante: Canibais?! O apocalipse mal começou e já temos gente assim, meu Deus.
Ashley: Sim, eles eram mesmo.
Quando o Marcelo me levou para explorar a delegacia de novo, eu tava confusa com o que estava acontecendo.
Então, quando saímos...
Marcelo: Quando chegarmos na delegacia, sem moleza. Entrou, pegou, saiu. Entendeu?
Ashley: (triste) Sim.
Marcelo: Que cara é essa? Parece que você está triste, ou pior querendo me assustar. É por causa do Gabriel, né?
Ashley: Sim.
Marcelo: Relaxa, ele não vai morrer, por enquanto.
Ashley: O quê!
Marcelo: É brincadeira hehe, mas é por isso que você deve convencer ele a se juntar a nós.
Ashley: Mas, por que a gente tem que comer carne humana?
Marcelo: Olha Ashley, pra gente sobreviver, temos que comer.
Você não comia carne de boi? É quase a mesma coisa, até porque você já comeu antes, e gostou.
Ashley:...
Marcelo: Falando em comida, a barriga chegou a roncar. Deixa eu pegar algo aqui na mochila.
(som de zíper de mochila)
Marcelo: Mas o quê? Droga, peguei a mochila errada. (suspiro) Vamos ter que voltar.
Comandante: E foi aí que todo o resto aconteceu?
Ashley: Sim.
Comandante: Que história. Sinto muito pela sua perda. Gabriel parecia ser uma boa pessoa.
Ana (mãe da Ashley): Filha!
Ashley: Mãe!
(Ana abraçou Ashley)
Ana: Ai filha, eu estava tão preocupada. O seu pai... (Ana olha para o comandante)
Comandante: Nem adianta me olhar assim, ele foi, porque quis.
Ana: E você não o procura, porque não quer.
Comandante: Ele foi contra minhas ordens, Ana.
Não vou mover meus soldados para procurar alguém que não consegue seguir regras.
Estamos mais preocupados em conseguir recursos. Aproveite sua filha.
(comandante se retira)
Narradora: Depois de uma conversa que não entendi nada, minha mãe me levou até a cantina.
Eu tava morrendo de fome e comi como se não houvesse amanhã. A comida tava tão gostosa!
E depois que terminei.
Ashley: (som de sucção enquanto Ashley limpa a tigela) Ahh... Quero mais.
Ana: Bom filha, as únicas pessoas que podem repetir duas vezes as refeições é quem trabalha na agricultura da Reserva.
O resto come apenas o essencial para sobreviver.
Ashley: (desanimada) Ah...
Ana: E pra sua sorte, eu trabalho na agricultura da Reserva.
Ashley: Yeee!
Ana: (risada) Me espere aqui, eu já volto com sua sopa.
Narradora: Estava feliz, tão aliviada de não estar comendo carne humana.
Miguel (criança de 10 anos): Ei! Você, mãos para cima!
Narradora: Me assustei, mas segui as ordens.
Miguel: Espera. Você não é a Maria. Quem é você?
Ashley: Eu sou a Ashley, sou nova.
Miguel: Ahh, quer brincar?
Ashley: Quero.
Miguel: Tá, eu sou o policial Fraker Junior, e você agora é minha ajudante.
Ashley: Legal! O que a gente vai fazer?
Narradora: Miguel, apontando para um grupo de crianças que estavam conversando em uma mesa, falou.
Miguel: Vamos investigar aquele grupo ali? Acho que eles estão aprontando alguma coisa.
Ashley: Tá.
Narradora: Começamos a nos aproximar da mesa sem fazer barulho, e conseguimos ouvir o que eles estavam conversando.
Parecia ser uma brincadeira, mas que só seria realizada à noite.
Enquanto observamos o grupo planejando sua brincadeira, Miguel teve uma ideia.
Miguel: Ashley, deveríamos nos infiltrar nesse grupo. Podemos descobrir o que estão planejando. Venha comigo.
Narradora: Miguel se levantou e andou até o grupo. E eu o segui.
Miguel: E aí pessoal, o que vocês estão fazendo? Podemos nos juntar a vocês?
Manuela (criança de 14 anos): (surpresa) Miguel, achei que você estava brincando com a sua irmã, e não com a...
Espera, quem é essa?
Miguel: É minha ajudante.
Ashley: Oi, eu sou a Ashley.
Melissa (criança de 13 anos): Oi, sou a Melissa, muito prazer.
Ashley: Prazer.
Manuela: Eu sou a Manu, e esses dois são Yuri e John.
Narradora: Os meninos se apresentaram para mim, pouco antes de minha mãe me chamar, e tive que ir embora.
Ashley: Eu vou ter que ir. Foi bom conhecer vocês.
John (criança de 12 anos): Ei Ashley! Quer brincar com a gente? Hoje à noite vamos jogar esconde-esconde, topa?
Ashley: Eu topo! É bom que conheço mais sobre esse lugar. (Ana: Ashley!) Ah... Eu tenho que ir agora. Até depois.
John: (com uma voz meiga) Até.
Narradora: Fui até minha mãe. Enquanto repetia a refeição, contei sobre meus novos amiguinhos.
Ela ficou feliz e disse que gostou de saber que eu já tinha me enturmado com as crianças da minha idade.
Quando anoiteceu, por volta das seis horas, saí para brincar,
e encontrei meus novos amigos. Jonh foi o primeiro a vir falar comigo.
Jonh: Ei Ashley, você quer se esconder comigo? Acho que seria divertido.
Narradora: Aceitei, enquanto me encontrava com o resto do grupo.
Manuela: Ashley, estávamos esperando você para começar.
Narradora: Após minha chegada, começamos a decidir quem seria o contador. Por sorte, Jonh e eu não fomos escolhidos,
e sim a Melissa. Então, Jonh e eu fomos nos esconder. Enquanto procurávamos um esconderijo perfeito,
Jonh me contou um segredo.
Ashley: Que tal nos escondermos ali?
Jonh: Melhor não, a Melissa com certeza nos acharia fácil. Ali foi o primeiro esconderijo em que me escondi,
e ela tinha se escondido junto comigo.
Ashley: E por que vocês se esconderam juntos?
Jonh: (envergonhado) Então... (risadinha) É que a gente se gostava, então a gente se escondeu juntos, e rolou uma coisa.
Ashley: O quê? O que que rolou?
Jonh: Ah, não vou falar.
Ashley: Ah, fala, por favor.
Jonh: Tá bom, é que ela... Ela me beijou na bochecha.
Ashley: Ah, que fofo. Vocês namoram?
Jonh: Que? Não, eca.
Ashley: Ah, ela é bonita.
Jonh: Não, não quero namorar, o Yuri ficaria me zoando.
Melissa: (voz no fundo) Prontos ou não, lá vou eu!
Jonh: Rápido, aqui!
Narradora: John me puxou pelo braço e escondemos em outro lugar,
mas ainda próximo ao lugar onde ele tinha se escondido com a Melissa. Não era muito grande, mas cabia duas pessoas.
Pouco tempo depois, senti Melissa se aproximando e fiquei tensa.
Ashley: Essa não, ela vai achar a gente.
Jonh: Calma.
(segurando a mão de Ashley)
(Ashley se acalma)
[Passos de Melissa]
Narradora: Melissa não vê a gente, e passa direto.
Jonh: Ela já foi.
Narradora: Sorri para Jonh nesse momento, quando de repente...
Melissa: Buh, achei vocês!
Narradora: E continuamos assim até o final da noite. Melissa achou meio suspeito Jonh e eu,
mas não levou muito a sério isso. Quando estávamos já finalizando e preparando para ir para casa, ouvimos tiros,
e todos correram até o som. Jonh me viu parada enquanto todos corriam e falou "Vamos!" Então, eu fui.
Quando chegamos, subi, e do alto do muro, vi uma pequena horda de zumbis e os soldados que nos defendiam,
lutando com tudo, fiquei ainda mais tranquila, sabendo que estava segura.
Comandante: Crianças, desçam daí!
Narradora: Em casa, deitada na cama, pude ver como esse lugar era perfeito.
Apesar de suas paredes ainda serem frágeis, era grande e tinha tudo que me lembrava normalidade. Tá, eu não tinha escola,
mas não era algo negativo, até porque era muito mais legal ficar brincando com as outras crianças.
Minha mãe continuava saindo de manhã para trabalhar, mas, em vez de voltar à noite, voltava à tarde.
Então, tinha muito mais tempo com ela. (voz desanimada) O ponto negativo era meu pai.
Não importava quantos dias se passassem, ele nunca voltou. Sempre senti a sua falta, e toda vez que pensava nele,
lembrava do moço. Eles tinham tanto em comum. (bocejo)
2 anos depois
Médico: Senhor! (ofegante) Senhor! Eu descobri (respiração) eu descobri porque os zumbis continuam vindo.
Eu descobri a causa da infecção.
Fim.
G.S: Uau, você sobreviveu até aqui? Ainda não foi mordido(a)? Parabéns, sobrevivente! Espero te encontrar no próximo capítulo. Até lá, tome cuidado e lembre-se: “Os zumbis são traiçoeiros.”
E que tal nos avaliar? Sua opinião faz a diferença e ajuda mais pessoas a descobrirem essa história. Obrigado pela leitura e até o próximo capítulo.
escrita por: Gabriel Souzart
The day Ashley dies Temporada. 1